O mercado de Belo Horizonte: queijos e cachaças
Visitar o Mercado Central deve estar entre as cinco melhores coisas a fazer em Belo Horizonte. Ao pisar lá, mais do que a organização, impressiona o desfile de produtos variados e de alta qualidade, principalmente queijos e cachaças. Isso me fez pensar em várias coisas.
A primeira foi o quanto amadurecemos como mercado consumidor no Brasil. Quem viveu a infância nos anos 1980 sabe bem o que é ter só dois tipos de queijo, o branco e o amarelo, sem grande diferença de sabor entre eles. Hoje vemos uma enorme variedade de queijos artesanais, o que é bom pela valorização da agricultura familiar e, principalmente, pelos novos paladares.
Em segundo lugar, me espantei com a diversidade das cachaças. Quem acha que cachaça é tudo igual está totalmente desinformado. Como no vinho, os diferentes microclimas do estado oferecem uma grande variedade. É, meus amigos: cachaça também tem terroir. Algumas são tão elaboradas que o preço beira os quatro dígitos. E ainda conheci a jujuba de cachaça, logo eu, que achava que o tal “pudim de cana” não existia.
Com uma base tão boa quanto a cachaça mineira, fica fácil desdobrá-la em criações originais, como a cachaça envelhecida em barril de carvalho e os licores de doce de leite, de banoffee (pois é… bom demais da conta) e de café.
Por fim, o próprio Mercado Central, cenário onde essas reflexões se desenvolveram entre queijos e cachaças, literalmente. Muito organizado e limpo, com uma enorme diversidade de produtos, sem falar no bom humor e na hospitalidade dos mineiros. Para o carioca, sempre preparado para ser passado para trás em lugares populares, lá o respeito, a segurança e a simpatia são vastos.
O que dizer mais? Só sei que, quando voltar lá, vou precisar de mala extra.









