Nutrologia e Cultura

História, ciência e cultura do que comemos

História dos alimentos

Buriti, a palmeira das veredas

Da série Jalapão

  • Mão segurando dois frutos de buriti de casca escamosa, um deles descascado mostrando a polpa laranja
  • Palmeira de buriti com cachos de frutos, vista de baixo
  • Copas de palmeiras de buriti com folhas secas penduradas, contra o céu azul
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Não dá para falar da alimentação do Cerrado sem mencionar o buriti, fruto da palmeira de mesmo nome. Da polpa, carnosa e alaranjada, faz-se suco e doce (saboroso, mas beeeem doce), e extrai-se o óleo. A cor laranja-avermelhada, que lembra um pouco o azeite de dendê, vem dos carotenoides, sobretudo o betacaroteno, que o corpo transforma em vitamina A. O óleo é rico em gordura monoinsaturada, principalmente ácido oleico. A polpa, porém, não é tão farta assim: boa parte do fruto é ocupada pela semente.

Da palmeira, aproveita-se quase tudo. Do miolo do tronco tira-se uma fécula usada na alimentação; as folhas cobrem ranchos e casas e viram cordas, redes, esteiras e outros artesanatos. E o buriti cresce nas veredas e matas de galeria, perto das nascentes: onde há buritis, há água. Não por acaso, nessas regiões mais secas, as palmeiras são um elemento-chave da paisagem e da vida da população local.

Referências

  1. Martins, Renata Corrêa; Agostini-Costa, Tânia da Silveira; Santelli, Paulo; Filgueiras, Tarciso de Sousa. Mauritia flexuosa: buriti. In: Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: plantas para o futuro – Região Centro-Oeste. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, cap. 5, p. 257–267. Acesso em 31 out. 2026. https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1073440/1/regio-centro-oeste-26-07-20171-258-268.pdf