Nutrologia e Cultura

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Cultura

Dolma, a arte de rechear

Da série Patrimônios da humanidade

Selo do Azerbaijão de 2005 com um prato de dolma de pimentões, tomates e berinjelas recheados

A região do Cáucaso é importante por várias razões, da mitologia (foi num monte do Cáucaso que Prometeu ficou acorrentado) à geopolítica (guerras e mais guerras). Não é para menos: essa faixa de terra liga a Ásia à Europa e abriga culturas que, ao longo dos séculos, ora compartilham, ora disputam o território. Mas, entre todas as razões, há uma que é indispensável discutir, meus amigos: a berinjela recheada.

Eu explico.

Sabe a berinjela recheada? O tomate recheado? O charutinho de folha de uva ou de repolho? Pois esses pratos formam uma verdadeira tradição, ou, nas palavras da UNESCO, um patrimônio imaterial da humanidade. É a tradição da dolma, a arte de fazer e compartilhar os recheados, inscrita na lista em 2017 a pedido do Azerbaijão.

Segundo a UNESCO, o nome vem de doldurma, palavra de origem turcomana que quer dizer “recheado”. Os recheios, de carne, cebola, arroz, ervilhas e especiarias, vão enrolados em folhas, frescas ou pré-cozidas, ou dentro de frutas e legumes. A refeição é dividida em família ou com a comunidade, e o saber passa de pais para filhos. É a confraternização que poucas coisas, como a comida, conseguem proporcionar.

A técnica é extremamente versátil: dá para rechear os mais diversos vegetais com carne moída no pimentão, ricota no tomate, carne desfiada com nozes na abobrinha ou na berinjela…

Vocês curtem esses pratos?

Referências

  1. Apolodoro. Biblioteca, 1.7.1 (Prometeu pregado ao monte Cáucaso). Tradução inglesa de J. G. Frazer, 1921. https://www.theoi.com/Text/Apollodorus1.html
  2. UNESCO. Dolma making and sharing tradition, a marker of cultural identity (Azerbaijão). Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, 2017. https://ich.unesco.org/en/RL/dolma-making-and-sharing-tradition-a-marker-of-cultural-identity-01188