Nutrologia e Cultura

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Cultura

Nsima, o mingau de milho do Malawi

Da série Patrimônios da humanidade

Mesa com um prato de bolos brancos de nsima e três acompanhamentos em tigelas: verduras ao molho, repolho com tomate e peixinhos secos refogados com pimentão

Além da dolma, outras tradições alimentares são consideradas patrimônio imaterial da humanidade pela UNESCO. Uma pouco conhecida é a nsima, do Malawi, inscrita em 2017: o conjunto de saberes em torno do preparo e do consumo de um mingau bem grosso de farinha de milho. Não vá pensando que é só fazer o mingau e comer… Não é assim, não, meu caro.

Tem que saber pilar o milho até virar farinha, escolher os pratos que vão acompanhá-lo, preparar e servir. À mesa, há costumes que regulam a gula e promovem a limpeza e a união. As crianças aprendem cedo: as meninas, a pilar o milho e peneirar a farinha; os meninos vão caçar os animais para os acompanhamentos. Comer nsima é um ritual partilhado em família, ocasião de estreitar os laços.

Curioso notar que o milho não é africano: é uma planta americana, que só chegou à África depois das grandes navegações. O que mostra que uma tradição não precisa nascer de um alimento nativo.

Foto: nsima com três acompanhamentos, por Jpatokal, 2005, sob licença CC BY-SA 2.5, via Wikimedia Commons.

Referências

  1. UNESCO. Nsima, culinary tradition of Malawi. Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, 2017. https://ich.unesco.org/en/RL/nsima-culinary-tradition-of-malawi-01292