Baeckeoffe, o forno do padeiro
Da série Alsácia

Vamos caminhar um pouco mais pelo interior da Alsácia e dar uma parada para o almoço. O prato de hoje é o baeckeoffe. O nome é alsaciano e vem do alemão backen, assar, e Ofen, forno. É uma terrina de camadas de carne (carneiro, porco e boi), batatas e cebolas, regada com vinho branco e cozida lentamente no forno.
É da família das caçarolas, palavra que vem do francês casserole, derivada de casse, recipiente. Num cozimento longo assim, com líquido, o colágeno das carnes (a proteína do tecido conjuntivo) se transforma com o calor e vira gelatina. Por isso o caldo fica encorpado, e por isso aparece aquela capa gelatinosa quando o que sobrou vai para a geladeira. E é justamente pela quantidade de caldo que, nas caçarolas, a mesma panela que sai do forno vai para a mesa.
Diz a lenda que o baeckeoffe nasceu entre os judeus da Alsácia: como é proibido acender o fogo no sábado, o prato seria preparado na sexta e deixado no forno ainda quente do padeiro, para ser comido no dia seguinte. É lenda, sem comprovação.
Foto: baeckeoffe em Elsenheim, na Alsácia, por Gzen92, 2011, sob licença CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.
Referências
- Larousse. Baeckeoffe. Dictionnaire de français. Acesso em 2 nov. 2026. https://www.larousse.fr/dictionnaires/francais/baeckeoffe/
- Centre National de Ressources Textuelles et Lexicales. Casserole (étymologie, TLFi). Acesso em 2 nov. 2026. https://www.cnrtl.fr/etymologie/casserole
- Centre National de Ressources Textuelles et Lexicales. Collagène (TLFi). Acesso em 2 nov. 2026. https://www.cnrtl.fr/definition/collag%C3%A8ne